“Vou à esquina com os velhos
navegar o calor de altas ondas.
O simca chambord um lagarto,
latarias e o óleo no ferro velho.
Um cigarro trocado de mãos,
o gesto que apavora à la 45.
Na esquina os olhos lentes.
A alegria da escola no meio fio
desarma o cinza de repente.
Pernas esguias contra o áspero.
O atingido é um circo, o que
não fala às tias perdeu o ônibus.
A casa-marquise recebe primos.
Um cigarro trocado, dívidas não.
No desafio, camelôs de farol,
a economia dez balas por cinco.
Penso os discos que tive, o
que me falta e serve também.
Manobram o simca lagarto ao
sol, os velhos riem.
As ondas oscilam como se
o Ex dirigisse o filme do caos.
Na esquina, o bairro atravessa,
a lataria ferve a quarenta graus.
[Edimilson de Almeida Pereira]
[20.02.2018]
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